Recebo de um amigo querido algumas notícias da Itália. Falamos sobre vinho e ele está morando bem ao norte, onde algumas uvas são raras por aqui. Ao mesmo tempo vejo cursos pipocando que tratam de uvas raras e vinhos geniais, e me deparo com uma reportagem do último dia de 2015 na revista Adega intitulada “Uvas desconhecidas produzem vinhos fascinantes”. Muito do que tem ali eu orgulhosamente conheço, sobretudo quando o assunto se concentra na Itália. E é de lá que vem nossa história, unindo todos esses pontos acima em uma única casta.

Ano passado fui para o Rio Grande do Sul e cheguei a postar aqui dicas de compras de vinhos em Porto Alegre. Numa das lojas os gaúchos eram o carro chefe, e como sempre busco novas uvas para alocar uma linha na minha planilha de castas – que já vai pelas 110 variedades – pedi dicas para o vendedor e, dentre outras, me encantei com a Teroldego. O que exatamente é isso? O que esse tinto seria capaz de me entregar? Por R$ 55, valor pago à época num Don Guerino, valia muito a pena arriscar. Vamos lá!

A uva é do norte da Itália, e a cidade de meu amigo fica no coração desse cantinho chamado Trentino que faz fronteira com a Áustria. De acordo com a revista citada, a casta é a mais importante da sub-região das Dolomitas e lá está citação textual à Bolzano, onde ele mora. Sua existência se limita praticamente a esse pedacinho da Itália, e entre vinhos jovens e extremamente especiais para guarda, já li em mais de um lugar que suas características agradam aos amantes da Syrah – uva predileta do amigo que me hospedou em Porto Alegre. Pois é, tudo muito bacana, mas o que conheço da uva não tem relação com a produção italiana, mas sim com o Brasil. E olha que a despeito da origem o que bebi me agradou.

O Don Guerino era um reserva 2015, e 50% do volume estagia por seis meses em barrica de carvalho. Fico pensando o que leva ao uso do termo “reserva”, mas a despeito de possíveis críticas comparadas a outros lugares do mundo o importante é o que se tira da garrafa. O vinho estava muito agradável, e nos surpreendeu nesse primeiro contato. A notícia ruim é que na vinícola a garrafa já está sendo comercializada a R$ 64 – ainda assim vale a pena, pelo que se bebe e pela surpresa da descobreta. A partir de então fiquei de olho na casta e por algumas horas perdi a oportunidade de comprar um italiano na última promoção da World Wine, uma pena.

Reserva_Teroldego

Fonte: vinícola

Pois circulando entre garrafas, no Prosa e Vinho, no centro de São Paulo, me deparei com um Larentis Cepas Selecionadas 100% Teroldego de 2014. Não resisti, mesmo que tenha custado um pouco mais – R$ 70 (no site da vinícola sai por R$ 65). Recentemente abrimos a garrafa, cujo conteúdo envelhece seis meses em barricas de carvalho, e o vinho estava bem agradável.

Larentis

Fonte: vinícola

Entre os dois fico com o primeiro. O Don Guerino agradou mais, o Larentis me parecia um pouco mais ácido – e olha que gosto de bebidas assim. As vinícolas estão separadas por cerca de 50 quilômetros, a Larentis pertinho da Casa Valduga, e a Don Guerino ao sul de Caxias. Conto entusiasmado sobre minhas descobertas para meu amigo que está na Itália e ele, modestamente, diz: “sim! Essa uva é daqui, muito bacana. Tenho tomado ótimos vinhos dela”. Fico imaginando o nível…