Comprar, comprar, comprar. Dizem que brasileiro tem essa tara quando viaja. Fica parecendo que a globalização e a abertura dos mercados não trouxeram tudo pra cá. Quase tudo! E com preços assombrosos. Assim, tem gente que gosta de viajar pra comprar. Turismo de aquisição. Não faz muito meu estilo, mas viajamos muito pra comer, beber bons vinhos e conhecer vinícolas. O que é mais legal? A resposta é absolutamente óbvia: o que mais te agradar.

Em viagens, onde comprar bons vinhos? Pela Europa cidades por vezes pequeninas têm boas lojas de vinho. Em La Morera de Montsant, cidade com menos de 200 habitantes (não esqueci nenhum zero) nas montanhas da Catalunha tinha uma simpática lojinha de vinhos. Em Falset, ali perto, a população se multiplica por dez e a loja era bem bacana. Em Oxford encontrei uma loja de vinho, onde os franceses imperavam, muito legal. O mesmo se deu em Mafra, onde o português se orgulhava de ter até vinho brasileiro – um questionável Rio Sol rosê. Exemplos não faltam, e não dá pra entrar e comprar em todos esses lugares.

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Local: La Morera de Montsant (arquivo pessoal)

O problema maior é que nem tudo o que compramos conseguimos trazer na mala. Primeiro porque os limites de peso abaixaram em nove quilos. Segundo porque nem sempre conseguimos carregar tudo o que desejamos. Terceiro porque muita coisa que compramos bebemos pelos hotéis. E quarto porque exagerar pode render problemas na alfândega. Um grande amigo me contou dia desses a história de conhecidos que foram parados com vinhos franceses estupidamente caros na mala e se complicaram com a polícia. Não tenho costume de comprar esse tipo de produto, mas certa ocasião numa famosa rede portuguesa de lojas em Lisboa o senhor que me atendeu disse: “embalo tudo bem direitinho, faço um pacote seguro pra nada quebrar e te dou uma nota falsa com valores baixos pra você não ter problema de entrar no Brasil” – temos a quem puxar, não é mesmo? Fiquei enojado e sai de mãos vazias. Naquele ano trouxe o vinho mais caro que comprei até hoje na vida: 90 euros pagos no clube gourmet de El Corte Inglês. Longe dos 500 dólares a que tínhamos direito.

Diante de todos esses desafios tem sido tarefa bem bacana comprar vinhos em lojas de aeroportos na saída de alguns países. No Brasil, especificamente em São Paulo, os preços se tornaram verdadeiras aberrações e a seleção de bebidas piorou de forma assombrosa de alguns anos pra cá. Assim, tem que trazer de fora. E ignorar aquele espetáculo caro da entrada dos terminais internacionais de Guarulhos.

Dos lugares que me lembro, algumas dicas são muito boas. Em Montevideo, à esquerda da entrada na área de embarque construíram uma loja pequena, simpática e bem completinha de vinhos e alguns azeites. Os preços são pouco maiores que na cidade, mas a seleção é correta, o atendimento é atento, e vale a pena comprar algo ali. Em Madrid a quantidade de vinhos é imensa, mas são as casas mais famosas de diversas regiões do país. Os preços são razoáveis, mas da última vez senti falta de alguns rótulos tradicionais que minha ansiedade esperava encontrar. Lisboa e Porto têm boas opções em seus aeroportos, sendo que nessa segunda localidade predomina o Douro e os fortificados – não era possível esperar algo diferente. Em Berlim me surpreendi com a oferta de Champagne a bons preços, mas isso foi em 2010. Em Bogotá muito vinho chileno a bons preços, lembro que a série Marques de Casa Concha valia a pena, mas são vinhos bem comerciais. Em Buenos Aires, comprei bons vinhos, em oferta razoável de opções. Por fim, em Milão a quantidade não era tão boa, assim como em Boston e Atlanta. Foram lugares que me decepcionaram um pouco nessa matéria.

Loja Uruguai

Fonte: Aeroporto de Carrasco

Pesquisar as lojas antes de viajar e tentar encontrar as variedades disponíveis pode ser uma dica razoável. O importante é trazer, pois aqui não anda fácil comprar os vinhos mais bacanas. No avião as sacolas vão acomodadas facilmente no bagageiro, e nunca fui impedido de embarcar com quatro, seis garrafas na mão ou na mochila – mas é essencial manter a embalagem intacta e a nota à vista. Isso quem nos atende tem o costume de fazer. Boas compras!