Ano passado voltei da Inglaterra e tentei mostrar aqui um pouco do que entendi que os ingleses bebem de vinho em seus restaurantes e lojas. Pois esse ano vivi novas experiências e compartilhar um pouco do que senti é sempre o objetivo de nossos encontros semanais. Vou dividir esse momento em dois textos. Esse escrito em cinco cenas e o da próxima semana dedicado especialmente ao que considero o mais agradável restaurante de Oxford.

Cena 1 – Em Londres tem bastante loja de vinho, e os supermercados em geral carregam fartura na bebida. O bairro de King’s Cross é um exemplo maravilhoso de Parceria Público Privada. Em 2016 participei de uma visita guiada por sua área e fiquei encantado. Esse ano voltei e o local está ainda mais bem estruturado. Fantástico. Foi lá que comprei, numa feirinha, o vinho da Geórgia sobre o qual falei na semana passada. O louvor do texto se transformou em decepção quando, na Suíça, eu e a Ka abrimos a garrafa. Não curtimos tanto, mas reconhecemos se tratar de algo diferente. E o mercado do bairro londrino foi genial.

Cena 2 – No domingo em que chegamos a Oxford fomos jantar no Carluccio’s, o mesmo italiano do ano passado. E novamente errei. Restaurante comum para o que oferece, e o vinho branco que escolhi, buscando não gastar muito, estava tão ruim quanto o tinto do ano passado. Definitivamente aqui eu não bebo mais. E sinceramente falando, se depender de mim, sequer como.

Cena 3 – No meio da semana de intensos estudos sobrei na sala de aula com meu chefe. O combinado era se juntar ao grupo à noite para mais uma rodada de cervejas em nosso PUB favorito. Foi quando ambos, cansados de comer fritura, acordaram jantar em grande estilo. O local escolhido já havia chamado minha atenção no ano passado. Não cheguei a entrar, mas o Gee’s, todo envidraçado, parecia uma ótima escolha. Acertamos em cheio, e bebemos um Viognier francês que harmonizou, inclusive, com uma belíssima alcachofra. O Le Choix de Voltaire, do Languedoc, merece ser revisitado.

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Fonte: The Vintner

Cena 4 – Voltemos pra King’s Cross, onde existe o tal supermercado realmente gourmet. Sua parte de vinhos tem bebidas de praticamente todo o mundo, e lá encontrei um Barolo por 20 libras. Foi inevitável viver essa aventura, que abri com um querido casal de amigos que me hospedou por uma noite. Era o mínimo que eu podia oferecer, e confesso que estava MUITO redondo. O problema foi apenas o calor, pouco apropriado para um vinho desse tipo. Ainda assim, com um prato de massa feito por uma brasileira, aqueceu meu coração depois de uma longa semana de estudos.

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Fonte: Waitrose

Cena 5 – Se de sábado para domingo dormi na casa de um casal muito querido de brasileiros, na noite seguinte fiquei hospedado na casa de um grande amigo alemão e sua esposa brasileira-britânica. Companhia valiosa, um encanto de família e uma passagem muito especial. Coisa para guardar por muitos anos na vida – eles são ótimos! Aqui a brincadeira ficou séria em matéria de vinhos, e antecipou o que eu viveria poucos dias depois na Alemanha. Começamos com uma taça de um espumante germânico genial. Seguimos com um par italiano de Villa Antinori tinto que eu já conhecia, e continuo adorando. E fechamos com um riesling espetacular. Foi quando ouvi falar pela primeira vez do jovem e espetacular Andreas Bender. Fiquei fã, mas infelizmente não encontrei nada dele pelos caminhos que percorri. Seu espumante e seu riesling estavam divinos. Paciência, motivo mais que especial para eu conhecer Mosel.

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Fonte: Enotri

Semana que vem conto sobre a cena 6…